30 dezembro 2013

Never thought that love could be so easy*



In between love trying to scheme love
Who can tell what we may find
All this time love, I sublime love
To the feelings in my mind
Loves like women, it's cool and breezy
Never thought that love could be so easy
* Tom Waits

29 dezembro 2013

do filme - take this waltz *



- What... What happened, Geraldine?
- I'm an alcoholic, moron. Nothing happened. This is my natural state. What... What happened... Really? Why wouldn't I ask that of you? You just disappeared, Margo. What a fucking obvious move! You... You think that everything can be worked out if you just do the right move? That must be thrilling. I think it's thrilling. I don't agree. Don't! Don't do that. I am the embarrassment? Me? Do.. Do you know we're doing the same fucking thing here?
- Okay, I don't understand what you're trying to say.
- I think you're a bigger idiot than I am. I think you really fucked up, Margo. In the big picture... Life has a gap in it, it just does. You don't go crazy trying to fill it like some lunatic. Speaking of fucking up... Okay, let's go. It was kind of fun. It's harder to talk honestly with people when you're sober as I'm sure you can imagine.

* ou de como não quero que tal aconteça no nosso percurso

28 dezembro 2013

dave and grover - amazing


ai grover


i'm everybody - Grover


:)

que razões há para postular que já existe o futuro? - Borges

o ano que era para ser o ano dos concertos. era para ser o ano. era para ser o ano. o ano em que o que tinha, o que nunca deveria correr, correu mal. a minha dor não é nem metade, nem um terço, nem um quinto. a dor que faz o chão fugir debaixo dos pés, a dor que irrompe das nossas entranhas. a dor dilacerante. a minha dor que não é tua, nem tua. e a minha força que é impotente que nem para atenuar serve. e a distância. 
 
e, nós, a continuar a viver. no meio dos sorrisos e das lágrimas. passo a passo. um dia de cada vez. cada vez mais presente que não temos razões para postular que já existe futuro.

 

das despedidas de natal

consigo (gosto muito de si, sabia?)

todos os anos temos despedidas que ficam na minha boa memória. este ano (nem foi tão má a mudança, pois não?), depois de percebermos as nossas afinidades, os nossos gostos em comum. tivemos conversas fantásticas que me elevaram e fizeram crescer o meu pensamento. Nabokov e o belíssimo livro na Outra Margem da Memória ficarão sempre associados a si. Ah, mas o que queria que fica-se em registo era mesmo a sua despedida,
- vê lá se te portas bem porque senão o menino Jesus não te dá nada. :)

[deu-me a aldeia e só isso vale por tudo. e deu-me certezas que não queria]



As mulheres da minha família* – o elogio à perseverança

Perseverar
1. Continuar, persistir numa opinião, num costume que seja bom.
2. Conservar-se firme, constante (num sentimento, numa resolução).
"perseverar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

* de sangue

24 novembro 2013

na outra margem da memória


Sempre que penso no meu amor por alguém, costumo traçar raios que esse amor emite – o meu coração, suave fulcro de um sentimento pessoal – até pontos do universo monstruosamente afastados. Algo me força a medir o sentimento íntimo do meu amor, opondo-o a inimagináveis e incalculáveis coisas, como o comportamento de nebulae (cujo extremo afastamento me parece uma forma de loucura), as armadilhas terríveis da eternidade, o incognoscível além-desconhecido, o abandono, o frio, as involuções e interpenetrações nauseantes de espaço e tempo. É pernicioso hábito, mas nada posso fazer. Podemos compará-lo ao latejar irreprimível da língua daquele insone que verifica na noite da boca a lasca de um dente, e embora se magoe persiste. (…) Não há remedio; tenho que saber onde estou, onde estás tu e onde está o meu filho. Quando esta lenta e silenciosa exposição de amor se dá em mim, abrindo as liquefeitas franjas e esmagando-me com a sensação de algo que é muito mais amplo, muito mais perdurável e poderoso do que a acumulação de matéria ou energia num qualquer e imaginável cosmo, nessa altura o meu espírito só tem que beliscar-me para ver se está realmente acordado. Preciso de fazer um inventário rápido do universo, como o homem que sonha e tentar explicar o absurdo da sua situação confirmando que sonha. Preciso de fazer participar na minha emoção o espaço e o tempo inteiros para iludir, assim, a sua mortalidade e ajudar-me na luta contra degradação total, o ridículo e o horror extremos de ter engendrado numa existência finita um infinito de sensação e pensamento.

 

Apesar disso a esmorecer, e também, o resto a ir ficando escuro; mas logo acima do horizonte, num espaço claro de cor turquesa por baixo de um estrato negro, os meus olhos depararam com um espetáculo que só os tolos tomariam por supérfluo neste ou noutro pôr-de-sol. Ocupava uma bastante reduzida porção do enorme céu e tinha a nitidez peculiar das coisas vistas com um telescópio ao contrário. Lá me esperava uma família de serenas nuvens em miniatura, acumulação de volutas brilhantes, anacrónicas no seu aveludado e extremamente longínquas; remotas mas perfeitas em todos os pormenores; fantasticamente reduzidas mas de contorno impecável; o meu amanhã maravilhoso pronto a ser entregue às minhas mãos.
Nabokov
[das mais belas descrições que li - sem dúvida a comprar para reler]

05 novembro 2013

Mas não há lágrimas na verdadeira tristeza, assim como não há riso na alegria.*

* Al Berto

 "Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cómodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência." Caio Fernando Abreu

[dos sonhos. quero falar dos sonhos que criámos no fim de semana. queria tanto. sabem aquela imensidão de terra que existe para os lados do interior alentejano? começamos a sentir o apelo daquela terra, do viver da terra, do ser da terra.]

...velhas trapaças...