07 julho 2011

uma vida boa não é uma boa vida *

Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.

Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.
* Maria José Nogueira Pinto

04 julho 2011

tenho tanta coisa para te dizer *

(...) vêm-me em revoadas, são coisas sem importância na passividade do divagar. (...) tenho os nervos abandonados à lassidão de estar. Estou bem. Devo mesmo dizer-te que sou feliz. A felicidade não está no que acontece mas no que acontece em nós desse acontecer. A felicidade tem que ver com o que nos falta ou não na vida que nos calhou. Devo dizer-te que me não falta nada, quase nada.

* In Em Nome da Terra de Vergílio Ferreira



(ao meu amor e a quem me fez)

01 maio 2011

entardecer


o douro, a 5 minutos de casa

24 abril 2011

Vamos ter todo o nosso futuro antes de ele nos ter a nós *

Vou-te amar como nunca te amei. Vamos ter todo o nosso futuro antes de ele nos ter a nós – onde nos vamos amar?

O amor é isso, querida, acumular no começo para se ir depois gastando dele pela vida fora – até quando durou o que acumulámos? Estás inteira jovem perfeita. Agora. Como é bom dizer jovem. Dizer perfeição. Dizer terra, astros e deuses. E estar tudo no teu corpo. Devagar, hesito ainda, devagar. Não quero perder um átomo de ti, do imenso que em ti acumulei, do universo em ti. Mais nua do que a nudez, da tua pele branca. Deve ser o fim do Inverno, depois de despido o queimado da praia. Estás mais desprotegida assim. Como se despisses também a minha imaginação. Como se dissesses assim. Abandonada entregue. Um corpo apenas, material, verificável. Mortal. Mas o que sobrepus nele não se trespassa assim. É preciso atravessar o medo o deslumbramento o impossível. É preciso vencer o mistério – um corpo amado é tão misterioso. Meu corpo de ternura. Havemos de conquistá-lo até um dia. Até quando ele for insuportável de doçura. Devagar. Mas há a tua inquietação. A tua pressa ardência, deixa-me ter tempo de te criar. De te trazer até mim o teu olhar esquivo, os teus desencontros furtivos. A tua agilidade, o oculto de ti. o teu riso, a tua franja irrequieta. A rapidez de seres, a vitalidade desassossegada, a tua alegria agressiva. A tua intensidade de existires – devagar. Atravessar tudo até ao teu mito que está todo no teu corpo nu. Fica longe. Tanto. E então amámo-nos e dizia está bem. Realizar Deus todo inteiro é difícil. Está bem. Tínhamos as galáxias do universo e havia ainda espaço. E isso era de endoidecer. Tínhamos em nós a sua expansão até ao rebentamento de nós. O desmesurado e incrível. Deus olhava o nosso esforço e sorria por cumprirmos o seu poder.

* In em nome da terra de Vergílio Ferreira


17 abril 2011

- Eu te baptizo em nome da Terra, dos astros e da perfeição. *

E tu dirás está bem.
* in em nome da terra de Vergílio Ferreira

13 abril 2011

é mesmo muito fodido ser homem. Não é? *

dêem-me tempo e serei exactamente o que vocês desejam como vocês desejam, sério, composto, consequente, adulto, prestável, simpático, empalhado, miudamente ambiocioso, sinistramente alegre, tenebrosamente desingénuo e definitivamente morto, dêem-me tempo

* António Lobo Antunes

29 março 2011

conversas

- agora vamos fazer outra vez, repetir palavras, está bem?
- mas não as ouviste?
- eheh

[há putos que salvam dias]

21 março 2011

e-aqui-in-ocio

era, se o tempo fosse nosso

13 fevereiro 2011

subi ontem à montanha blanca *


Fuerteventura Junho de 2010

* José Saramago

09 fevereiro 2011

dai-me senhor

Cristina Carvalhal - Libera-me from Ricardo Barros Espírito Santo on Vimeo.




porque têm sido penosos os dias.
neura, irritação


...velhas trapaças...