28 dezembro 2009

Vós existis no universo exterior a mim *

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Eu sinto-me muito calma. Sem nenhuma febre. Passo os dias em estado de beatitude. Pela primeira vez na minha vida não são os sortilégios, mas o conhecimento. Vós existis no universo exterior a mim.
* Tsvétaieva in correspondência a três

23 dezembro 2009

a lullabye



:)

imbuída de espírito de natal

- faz o favor de ter uma boa noite de natal.
- obrigada. o doutor faça o mesmo.

:D

[façam o favor de ter uma boa noite de natal]

22 dezembro 2009

rabugens de pessimismo *

* idiolectos de Machado de Assis

10 dezembro 2009

equações mágicas

Que significa "pensar em ti"? De certo modo, não penso em ti como não penso em mim (...) mas penso imensamente em ti se tomar a expressão no seu sentido literal: penso em ti, isto é, tu és "sujeito" que pensa em mim quando estou a pensar em ti como a partir de um lugar, de uma morada, de uma instância e paisagem onde me dá prazer pensar. Esta é a equação mágica: és tu que pensas em mim quando é em ti (a partir do teu corpo, do teu desejo, do teu prazer) que eu penso. No sentido exacto em que aquele que faz amor se transpõe para o corpo do outro e vive nele os sinais, os pressentimentos, as mensagens que esse corpo emite quando ele a si mesmo se excede para se reconhecer na alucinação desse excesso - para se reconhecer no desconhecido. É a essa navegação nocturna e esplendorosa que poderei chamar "pensar em ti". Pensar é então viver o mundo com o teu corpo - sobreviver no combate repetido desse corpo contra os limites do humano.
Eduardo Prado Coelho

07 dezembro 2009

a linguagem não pode reter-se, conter-se *

é bom que os homens, no interior de um mesmo idioma (...) tenham várias línguas (...) constituem, dessa forma, uma reserva que (...) permite a liberdade de escolha segundo a verdade do desejo. Essa liberdade é um luxo que toda a sociedade devia propor aos seus cidadãos
* in a Lição de Roland Barthes

[ficavam tão bem, mas tão bem, na minha "biblioteca"]

03 dezembro 2009

incêndio

se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva miudinha - não te assustes

são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm visitar-te

diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo - diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas - com eles no chão

Al Berto

[é talvez um dos mais belos poemas de al berto]

30 novembro 2009

i'll be around *

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* Lisa Ekdahl

[jump jump jump...
pela Lisa e ainda mais pelas mais de 24horas que vamos partilhar :)]

28 novembro 2009

como dizer-lhe

(...)
que um afecto é, de facto, tudo (mas não de tudo quanto o prende)
Maria Gabriela Llansol

23 novembro 2009

trago-te o mar, as nuvens que as crianças sonham a vermelho *

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-Talvez fosse possível ensinar as pessoas a ver nascer o Sol…
Eu perguntei:
- E a ti, quem te ensinou?
- Tudo me ensinou: o meu pai. A minha mãe, o mundo em que eu nasci…
António Alçada Baptista

[o mundo, o nosso mundo estará lá sempre...]

* Al Berto

moonlight sonata



tudo reverte ao que será finalmente - e eu ignoro -
mas se o «finalmente» se sentir,
como hoje me sinto,
ou for o que a música é,
neste momento,
será uma realidade fulgurante, uma muralha de resistência ao
medo e ao
Nada.
Maria Gabriela Llansol

20 novembro 2009

eu, legente

- Sim – digo-te, pousando as mãos nos teus joelhos: - Desejo encontrar alguém que me ame com bondade, e saiba ler.
- Alguém que queira ressuscitar para ti?
- Sim, alguém que tenha para comigo essa memória.

alguém que deixe espaços entre as palavras para evitar que a última se agarre à próxima que vou escrever
alguém que admita que a cartografia dos animais e da pontuação não está ainda estabelecida
alguém que eu possa ler diferentemente depois de me ler
alguém que dirá aos animais e às plantas que nem sempre serão servos
alguém que ao nos amarmos se reconheça de matéria estelar

ou seja, (...)
in O Jogo da Liberdade da Alma de Maria Gabriela Llansol

12 novembro 2009

Sometimes we leave everything to find ourselves *

* Two Lovers

Ou o momento passa, e já não podes fazer nada. Porque também existe isso, o momento. – o tempo traz e leva as coisas arbitrariamente, e não somos apenas nós que colocamos as nossas acções e os fenómenos no decorrer do tempo. Acontece que o momento traz consigo uma possibilidade e isso tem um tempo exacto – e se o momento passou, de repente já não podes fazer nada.

in velas ardem até ao fim de Sándor Márai

[perdeu-se o momento e não tudo]

10 novembro 2009

fui ver o preto que Caetano tanto gosta

não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte é depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro acto meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou

[o ponto alto da noite]

05 novembro 2009

o prazer da leitura imotivada e pura, sôfrega e vagabunda *

Dentro da música, está nu na sua qualidade de interpretante desse que nos pode deixar jubilosos.
in O Jogo da Liberdade da Alma de Maria Gabriela Llansol

* Eduardo Prado Coelho

03 novembro 2009



A tolerância não é uma posição contemplativa dispensando indulgências ao que foi e ao que é. É uma atitude dinâmica, que consiste em prever, em compreender e em promover o que quer ser. A diversidade das culturas humanas está atrás de nós, à nossa volta e à nossa frente. A única exigência que podemos fazer valer a seu respeito – exigência que cria para cada indivíduo valores correspondentes – é que ela se realize sob formas em que cada uma seja uma contribuição para a maior generosidade das outras.


conversas

entre uma menina de 27 anos e um senhor de 90 anos.

- tem que me dizer qual é a sua receita.

- ah. sabe o Noé da bíblia, viveu até aos 600 anos. eu também o vou fazer, aqui ou noutro lugar.

- ah, então todos nós!

:-D

30 outubro 2009

um texto e uma música

Na surpresa de uma curva, o deslumbramento. Tão forte que as lágrimas deveriam romper clandestinamente no mais fundo dos olhos. Este lugar é uma enseada, enseada amena, a enseada de Guesclin. Em frente uma pequena ilha, com árvores, uma casa à proa, muralhas, janelas pequenas, e no topo uma grande janela branca e fechada - uma moldura de silêncio. Enquanto houver ilhas, os homens continuarão a ser reis como os reis que o foram. Reis inúteis mas soberanos, imensos, sumptuosos, cobertos pelo manto nocturno das águas. Dinastias arrogantemente supérfluas. Diademas, ceptros, flores venenosas. Se eu tivesse uma ilha, os meus amigos chegavam em barcaças, cantavam baladas de marinheiros, bebiam cidra, deitavam-se com a boca salgada, faziam amor e adormeciam.
Na falta de uma ilha, um livro.
Eduardo Prado Coelho (contracapa de Tudo o que não escrevi volume II)

29 outubro 2009

que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?

e temos de viver por eles também

a alegria de ser entendido sem palavras é o nosso sonho

a nossa sede de afecto é sem limites

talvez a gente ainda vá a tempo de dizer aos nossos mortos que gostamos deles e eles o consigam ouvir porque estão dentro de nós

20 outubro 2009

lentamente os dedos aperfeiçoaram a arte de pararem sussurrantes sobre o corpo *

* Al Berto

depois de te perder/te encontro com certeza/talvez num tempo de delicadeza/onde não diremos nada, nada aconteceu/apenas seguirei como encantado ao lado teu
in muros de Júlio Machado Vaz

14 outubro 2009

esquece. (...) esquece o trabalho que te traz em alvoroço. (...) esquece *

a cadeia do grito



ou a cadeia do ridículo

* Vergílio Ferreira

08 outubro 2009

a coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio *

a maior parte do tempo, porém, o que nós partilhámos era o silêncio. e isso eu aprendi contigo, porque não sabia.
* No teu deserto de Miguel Sousa Tavares

[Here I am and here I'll stay]

05 outubro 2009

chove *

Chove uma grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.



Chove, grossa e constante,
Uma paz que há-de ser
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer...

* Miguel Torga

04 outubro 2009

a terra pertence ao dono, mas a paisagem pertence a quem a sabe olhar *

* no teu deserto de Miguel Sousa Tavares


Alteirinhos - Costa Alentejana

02 outubro 2009

Estou de volta pró meu aconchego *

* Elba Ramalho

[pode uma cidade ser um aconchego?]

29 setembro 2009

Don't give yourself away *

* Joni Mitchell

Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.

Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.

Não fui eu que te quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu

A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o esperma que te dou, o desespero.
José Carlos Ary dos Santos

28 setembro 2009

nota (e não esquecer): trabalhar para o bem comum

23 setembro 2009

mas o fio das razões é sempre mais lento que a cadência das conversas *

- sal dar bras pus ca sa (...)

- é Pessoa isto?

- cru lar sa pa mar gas (...) e agora é Pessoa?

- não. agora é mais Garret...

[:-D]

* Eduardo Prado Coelho

16 setembro 2009


E o que existe é o ser-se em relação e não a sós connosco.


Vergílio Ferreira



04 setembro 2009

Is that alright Is that alright with you? *

Egoísmo ou intolerância?

* Damien Rice


[* is that alright with you?
No...]

02 setembro 2009

26 agosto 2009

abre-te à claridade do sol, mergulha na frescura do mar *







Estás vivo, é dia, o sol e o mar são a verdade. (...) Faz um esforço. E sê digno da tua grandeza de homem, que é muito maior do que tudo o que a humilhar.
* Vergílio Ferreira in Pensar

sê contente e respira *

esquece. (...) esquece o trabalho que te traz em alvoroço. (...) esquece.

* Vergílio Ferreira


[se quiser invento resultados. é isso que quer? :S]

25 agosto 2009

num instante de luz, descubro a saída dos meus labirintos *



* Eduardo Bettencourt Pinto

[bem-hajam]

conversas

- vai repetir tudo o que eu disser: zebra

- zebra

(...)

- dragão

- eu sou benfiquista

- eheh :D

13 agosto 2009

Who made these rules anyway? *


Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.

* in Revolutionary Road de Richard Yates

[a personificação do livro está brilhante]

05 agosto 2009

...o vírus andava no andar de baixo...

e foi gargalhada atrás de gargalhada

insensatos? naaaaaa... nada de pânico.

04 agosto 2009


às vezes, o dia inteiro resume-se a uma palavra;
mas hoje, se não conseguir escrever, saio para a rua e mato alguém.

Al Berto


isto não é al berto. é a nossa condição de sermos breves

[a minha condição de ser breve]

29 julho 2009

Sós, *

irremediavelmente sós,

como um astro perdido que arrefece.

Todos passam por nós

e ninguém nos conhece.


Os que passam e os que ficam.

Todos se desconhecem.

Os astros nada explicam:

Arrefecem


Nesta envolvente solidão compacta,

quer se grite ou não se grite,

nenhum dar-se de outro se refracta,

nenhum ser nós se transmite.


Quem sente o meu sentimento

sou eu só, e mais ninguém.

Quem sofre o meu sofrimento

sou eu só, e mais ninguém.

Quem estremece este meu estremecimento

sou eu só, e mais ninguém.


Dão-se os lábios, dão-se os braços

dão-se os olhos, dão-se os dedos,

bocetas de mil segredos

dão-se em pasmados compassos;

dão-se as noites, e dão-se os dias,

dão-se aflitivas esmolas,

abrem-se e dão-se as corolas

breves das carnes macias;

dão-se os nervos, dá-se a vida,

dá-se o sangue gota a gota,

como uma braçada rota

dá-se tudo e nada fica.


Mas este íntimo secreto

que no silêncio concreto,

este oferecer-se de dentro

num esgotamento completo,

este ser-se sem disfarce,

virgem de mal e de bem,

este dar-se, este entregar-se,

descobrir-se, e desflorar-se,

é nosso de mais ninguém.

* António Gedeão

26 julho 2009

conta a lenda...

Lenda de S. Pedro de Rates

Conta a lenda que o santo salvou de doença mortal uma jovem princesa pagã. Como retribuição ela converteu-se ao cristianismo e fez voto de castidade. Tais factos enfureceram o pai levando-o a ordenar a morte de S. Pedro. Este refugiou-se na capela de Rates onde foi encontrado e decapitado pelos soldados que seguidamente destruíram o templo.
Séculos mais tarde, da serra de Rates, S. Félix observava todas as noites uma luz na escuridão. Guiado pela curiosidade desceu a vertente e encontrou no meio dos escombros a razão de ser desse clarão: o corpo de S. Pedro.

[vamos à procura dos caches?]

24 julho 2009

23 julho 2009

entardecia...

em rates... a música surgiu



e...




uma mão leve desceu sobre mim com a paz do adormecer.

[voltemos pois, sempre rates...]

15 julho 2009

amo como ama o amor



Não me esqueci de nada,
Guardo a tua voz dentro de mim.
Eugénio de Andrade

11 julho 2009

pendulando...

na hora metafísica do silêncio

[e a duvidar da não existência de Deus]

08 julho 2009

...

...é bem possível que o Inverno nos seus dias de sol, tenho vindo passar as férias de Verão...

04 julho 2009

30 junho 2009

conversas *

* entre uma menina de 26 anos e uma senhora de 74 anos

- isto é mesmo assim... o meu pai quando eu fiz 40 anos combinou comigo numa pastelaria e quando cheguei disse-me: "já andas a 4 rodas" ...
e eu sem perceber, já que tinha ido a pé...

- eheh :D

29 junho 2009

let´s celebrate st peter



oi?! como é?...;)

[soube a pouco... sabe sempre a pouco a noite de S. Pedro]

28 junho 2009

27 junho 2009

nas entrelinhas da memória,

isto

cantado e ouvido por um grupo de crianças numa casa grande de janelas vermelhas... com a baía do outro lado da estrada...

25 junho 2009



They're all 3 word sentences. So I could have something to say to you instead of the 3 words that are... that are killing me. The 3 words that you know I feel but I can't say them, because it would be cruel to say them, because I am no good for you. I don't wanna torture you. I don't wanna look at you longingly when I know I can't be with you. So, yeah I'm smiling, and I'm saying take care now. I'm letting you off the hook. I'm trying, I'm trying so hard to let you off the hook. I'm trying to make it right. What I did to you. Can't you see that? I'm just trying to make it right.

[the no answer. i understand, finally]

entardece devagar *



Entardece devagar. É a hora metafísica do silêncio, de a razão não ter razão. É a hora de a arrogância das convicções fazer menos barulho, de o mistério aparecer. Tarde do nosso tempo, do que declarámos em grandes berros e não era, das promessas a cumprir no túmulo, do ardor que se esvaiu em cansaço, das profecias garantidas a polícia, do horror justificado, do erro de ferro. Entardece, a noite vem aí. Da derrocada universal, o mistério como um fumo que se levanta. Olha, escuta. É a hora da verdade de seres, que é a única verdade. A noite vem aí. Vem devagar como uma suspeita oblíqua. E de tudo o que falhou e morreu, uma mão leve que desça sobre ti com a paz do adormecer.
* Vergílio Ferreira in Pensar

let's celebrate st peter

cause life is short but sweet for certain
Dave Matthews

mas...

porque estando o senhor mal-disposto há que ficar toda a gente mal-disposta????

[médicos grrrr]

21 junho 2009

Lar...

Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.

Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.


Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger dos degraus, um sussurrar de cortinas.



Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.

Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.

Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias.

Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo. Lar é onde nos amam.

in Sétimo Véu de Rosa Lobato Faria

15 junho 2009

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. (...)
Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos.


Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, as vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de que o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis.


Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país.
António Barreto

13 junho 2009

07 junho 2009

ridícula:
- Digno de riso zombeteiro; merecedor de escárnio.
-
Insignificante; que tem pouco valor.


[...] [...] [...]

29 maio 2009

a luz afoga-se no silêncio destes lugares desertos *



à porta da alba encontramos os mortos, com os cabelos emaranhados em tumultuosas estrelas. brilham, como pirilampos, ao fundo do túnel da noite. é para esse litoral que nos dirigimos.

* Al Berto, Praias, in Anjo Mudo



[isto não é al berto. é a tentativa de adiar a nossa ausência]

28 maio 2009

afinal de que tens medo?

tens medo de nós? anda para aqui... tenho a boca tão doce.

[não tenho medo não. mas não gosto, não gosto de ter estas conversas neste local e muito menos com o senhor
e não me corta a mão]

oh lover, i'm lost *

* Rachael Yamagata

isto não é Al Berto. é a nossa condição de sermos breves

sinto que há uma estranha eternidade naquilo que amámos e foi destruído
Al Berto

25 maio 2009

al berto personificado

- de que tens medo?







um ano e meio depois, al berto pergunta

- medo de viver?


[ouvir al berto desorienta pensamentos]

18 maio 2009

A ligação entre o desemprego e o horror. **

Poderá um homem que se encontra entusiasmado com uma determinada actividade comum transformar-se no dia seguinte num carrasco? Era esta a pergunta, (...)
** in Jerusalém de * Gonçalo M. Tavares

não te leves demasiado a sério, mas leva a sério o mundo *

[medo]

14 maio 2009

é pois um apaixonado que fala e diz: *

Há duas afirmações do amor. Primeiro, e logo que o apaixonado encontra o outro, há uma afirmação imediata (psicologicamente: deslumbramento, entusiasmo, exaltação, projecção louca de um futuro pleno: sou devorado pelo desejo, a impulsão de ser feliz): digo que sim a tudo (cegando-me). Segue-se um longo túnel: o meu primeiro sim está atormentado por dúvidas, o valor do amor está permanentemente ameaçado de depreciação: é o momento da paixão triste, a ascensão do ressentimento e da oblação. Deste túnel posso, no entanto, sair; posso «ultrapassar», sem liquidar; posso novamente afirmar o que já afirmei uma vez, sem o repetir, pois agora o que afirmo é a afirmação, não a sua contingência: afirmo o primeiro encontro na sua diferença, quero o seu regresso, não a sua repetição. Digo ao outro (velho ou novo): Recomecemos.

Nietzsche, na voz de * Roland Barthes in Fragmentos de um discurso amoroso

06 maio 2009

num instante de luz, descubro a saída dos meus labirintos *









* Eduardo Bettencourt Pinto

[Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.
Gonçalo M. Tavares in o Senhor Brecht, O desempregado com filhos]
[sabes?]

Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra
razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além
de que te amo, se o que quero
dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa

não... não há palavras para descrever este amor maior!...
porque te amo apenas e só... apenas e só... como ama o amor...
tu sabes...


Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
Eugénio de Andrade

04 maio 2009

junto ao mar *


(...) a ternura de um olhar
não chega para iludir a embriaguez dos amores imperfeitos
* Al Berto

03 maio 2009

A falta de capacidade de respirar livremente, sem recordar os fantasmas, é a vontade de viver amarrado ao passado.
António Barreto

[indeed]

02 maio 2009

Aliás, todos sabemos que nos sentimos só relativamente bem. É bom aceitarmos o relativo.
Antonio Tabucchi, em entrevista à revista Ler

01 maio 2009

30 abril 2009

momentos de céu na terra *



- i really hope this is heaven come

- what you waiting for?
...

- this!

* Grey's Anatomy

[...]
[com a pandemia podia resolver-se o problema do desemprego mundial]

...pensamentos idiotas...

29 abril 2009

[um dia terei a retórica como aliada]

Poderás falar assim de um artista em relação à própria vida? Certamente. No entanto, ninguém lúcido quereria regressar para viver uma outra existência - nenhum alimento é assim tão convincente.
In Breve Notas sobre o Medo de Gonçalo M. Tavares

28 abril 2009

sal dar bras pus ca la tri si pa tu cha eh gris nha tra sa pa tu cha quis

[14 vezes ditas...estas e mais vinte e cinco pseudopalavras... em cinco horas]

25 abril 2009

mas há sempre uma candeia *



A democracia é a pior forma de governo, excepto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos
Churchill

* Manuel Alegre

20 abril 2009



dos vasos comunicantes...

17 abril 2009

conversas *


- (...) por agora não podes ficar doente, nem podes assustar mais os pais. tens muito tempo para ficar e estar doente... quando fores velhote, está bem? (...)


- :-)

[* com um puto de 4 meses]

...com muito pouco se constrói o mundo, o nosso pequeno mundo...

15 abril 2009

Quero sempre ver *

Queria ver o crepúsculo. Quero sempre ver. Fiquei alguns minutos, adâmico no meu entusiasmo. Um vermelho intenso desatava-se por entre as nuvens.



De repente apareceu a gaivota, em chamas. Fui com ela até contornar o prédio, onde se perdeu.


Vou-me embora muitas vezes à procura desses momentos. São os meus templos. Sempre que posso descalço-me, sangro pelos caminhos. Até que, num instante de luz, descubro a saída dos meus labirintos.

Não é ser romântico, que veleidade. Amo a dor do belo, aquilo que me transcende e está fora do meu alcance. Amo a considerável força do mistério, a torrente de energia que pulveriza o amor e o deixa assim, frágil, a levitar no universo.

Não sou daqui, parti há muitos anos. Vivo um tempo emprestado. Tanta areia na minha voz, tanto deserto.

Fui ali ver o crepúsculo. Quando saí já a noite, dura, engolia a paisagem.

* Eduardo Bettencourt Pinto
[fantasmas... dentro da caixinha mágica]

12 abril 2009

[five years... and no friends]

lamentou que se encontrasse há tanto tempo muito só, sempre a pensar, vulnerável a pensamentos e músicas estranhas. Estava sempre só, e nessas circunstâncias a vida interior adquiria dimensões excessivas e uma pessoa expunha-se mais do que nunca à introspecção constante, à angústia, à loucura.
in A Viagem Vertical de Enrique Vila-Matas

08 abril 2009

feeling like... Raskolnikov!

03 abril 2009

Todas as mulheres, tanto as que estão destinadas à maior quietude, como as que estão destinadas à maior inquietação, deviam aprender um passo de dança, criado só para se desenvolver em todo o potencial a graça dos seus seios. (...)

Os seios sentem a loucura da dança com um frenesi que chega por vezes a assustar, porque parece que vão pegar fogo, que vão incendiar-se de tanto roçarem um no outro. (...)
Os seios na dança são como um mar embravecido, e a sua ondulação dá uma vertigem que embriaga. (...)

Os seios na dança não são do homem; libertam-se na dança, oferecem-se no altar dos sacrifícios, na ara em que arde o fogo, oferecem-se ao Deus varonil que ama essas oferendas, e ardem na ara como ardiam os carneirinhos que se ofereciam em holocausto. É na dança que os seios estão mais longe do homem, quando ninguém se pode aproximar deles, quando estão mais solitários e mais oferecidos a si mesmos.
Línguas de fogo da dança, suprema voragem, vórtice do espectáculo de viver que a vida pode dar, sinal de rebate que convém dar aos corações para que sejam livres, exaltados e revolucionários!
excertos retirados de "Seios" de Ramón Gómez de la Serna

[ei fantasma... é por isto que todas nós dançamos...]

conversas

(entre um senhor de 60 anos e uma menina de 26 anos)

- nós andamos aqui para conviver, beber, comer... sabe... eu tenho uma maneira de ser que tenho que estar sempre rodeado de pessoas... apesar de não ter ninguém na minha cama.

- deixe estar... às vezes mais vale estar só...

[mas eu perguntei-lhe se tinha ou não alguém na cama?? :S]
nota: não magoar quem não deve ser magoado!

[verbaliza]

01 abril 2009

31 março 2009

não esquecer: o fogo queima!

30 março 2009

nota: não acordar fantasmas!

29 março 2009

[o prenúncio do fim *]

perguntou a si próprio por que razão não havemos de ser - homens, deuses, mundo - sonhos que alguém sonha, pensamentos que alguém pensa, situados sempre fora do que existe, e perguntou a si próprio por que não há-de ser esse alguém que sonha ou pensa alguém que não sonha nem pensa, ele próprio súbdito do abismo e da ficção.

(...)

- Finalmente - murmurou Mayol.

in A Viagem Vertical de Enrique Vila-Matas



[* ou o alcance da Paz?]
um dia será dia

[dream on girl]

19 março 2009

poema ao pai


Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra
razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além
de que te amo, se o que quero
dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa

[Eu cito os outros para me expressar melhor a mim próprio - Montaigne]

18 março 2009

Um dia terei a retórica como aliada

No banquete para o qual foste surpreendentemente convocado procuras as palavras e o discurso certo e, por essa razão – porque tentando mostrar-te humano esqueceste os alimentos, insultando o apetite -, jamais voltarás a ser convidado.
In Breve Notas sobre o Medo de Gonçalo M. Tavares

[hoje não foi o dia]

12 março 2009

A vida, dizem, é uma comédia e um drama. Eu fico-me pela sua luz *

*Eduardo Bettencourt Pinto

[je t'adoRRRRe! bem-hajas pelo pouco que é muito]

11 março 2009

08 março 2009

Boa noite. Eu vou com as aves. *


Poema à Mãe

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme,
mãe!

Olha - queres ouvir-me?
-Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

* Eugénio de Andrade

05 março 2009

pois...

o mistério envolve a essência do ser humano (…) mas (…) não quero aproximar-me dele com aquela serenidade que estava montada sobre a tristeza e sobre a angústia. (…) qualquer coisa me dizia já que era preciso procurar o amor, que ele é o encantamento e alegria e que só aí poderia lá chegar. Era um palpite vago e difícil de explicar, como vagos e inexplicados são tantas vezes os sentimentos, as intuições, as saudades do que não chegou ainda à história, os ilocalizados apelos e as aspirações, no fundo, tudo o que dá ao ser humano aquela qualificação que o faz ter relações privilegiadas com o universo e que nem sempre é visível à objectividade do mundo.
in O Riso de Deus de António Alçada Baptista

[e o universo não conspira para que nós estejamos um dia cara a cara?]

04 março 2009

Nós temos cinco sentidos: são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?

David Mourão-Ferreira

02 março 2009

jardim dos caminhos que se bifurcam *

* Borges

[a caminhar a passos largos para lá...]

o céu de hoje, o mar de hoje... a casa, o refúgio, o acordar...

a casa, o refúgio...

a casa...

a... saudade de ti, de mim, de mim, de ti... saudade

tenho saudades (…) tenho saudades e não sei de quê, estamos aqui e já tenho saudades de estar aqui, tu estás comigo e eu tenho saudades de ti como se já não estivesses cá, está tudo a passar, o tempo, a vida, está tudo a passar muito depressa.
tenho saudades, (...) saudades do que foi, do que está a ser, do que será, sobretudo do que não será.
in Terceira Rosa de Manuel Alegre

repara [pára e volta a parar *]








...um fim de tarde numa janela...
* Gonçalo M. Tavares

15 fevereiro 2009

da embriaguez de palavras, do milagre da Póvoa

fica a descoberta...

Recordar-te.
Não sei de que ilha da memória olhas o mar.
Os cafés agitam-se a esta hora, entram e saem os vultos
da cidade.
Estou aqui e penso. Volto páginas do livro que leio, bebo café,
oiço um samba.
De repente apareces com a tua voz rouca. Fecho os olhos.
É dentro de mim que ainda te vejo. É sempre verão:
sinto o fulgor das palmeiras nas tuas mãos.
Levo-as à boca.
O sol calmo e macio
de setembro corre-te a pele,
deixa-te
entre os dedos quatro sílabas
e um trilho no deserto dos dias.

Eduardo Bettencourt Pinto


[de volta, a realidade...]

14 fevereiro 2009

conversas fora da realidade *

- gostei especialmente daquela crónica do fim de ano, que escreveu para a Visão. "Tocou-me" muito...

- estamos muitas vezes no dois...

(...)

* das correntes

[na contagem decrescente ele está no dois. ou seja, está a dois segundos de uma grande alegria. o que o angustia é pensar que pode ficar assim muito tempo, muitos anos mesmo. toda a sua vida até. - Gonçalo M. Tavares]

09 fevereiro 2009

pára realidade... para a semana voltarás...

com o que nos cai de más notícias a azedar o café de cada manhã, quem não prefere deixar-se acorrentar a versos fraternos na brisa suave dos mares da Póvoa?
Onésimo Teotónio de Almeida

05 fevereiro 2009

E as pessoas também fogem da solidão, entrando em todo o tipo de intimidades de que, a maior parte das vezes, se arrependem, mas durante algum tempo podem estar convencidas de que essa intimidade é uma espécie de amizade.
in As velas ardem até ao fim de Sándor Márai

04 fevereiro 2009


Rio Douro

[para respirar...]

03 fevereiro 2009

há tardes em que...

duvido da capacidade de discernir.

27 janeiro 2009

sê contente. e respira *

esquece. esquece a amargura, os atropelos, o cansaço. e as maledicências, as traições, os rancores. esquece o trabalho que te traz em alvoroço e os fracassos de uma vida inteira e os projectos falhados para antes de começarem a ser projectos. e as invejas, as calúnias, as insídias como dentes por entre o sorriso. esquece. e sê contente. e respira.

* Vergílio Ferreira in Pensar

26 janeiro 2009

quando os vasos comunicantes nos levam...

...às lágrimas!

[i'm still crying to made you cry]

23 janeiro 2009

conversas

(entre um senhor de 67 anos e uma menina de 26 anos)

- e como é que eu me portei?
- bem, claro :)
- com uma professora como a menina... com tanta simpatia tinha que correr bem... a simpatia e a honestidade são os primeiros passos para que o trabalho corra bem...
(...)

- isso também lhe aconteceu? isso de não conseguir ripostar quando alguém é incorrecto e desonesto consigo?
- claro. queremos ser honestos e depois temos respostas que não estamos à espera e ficamos sem fala...
- mas olhe diga-me da sua experiência... isto aprende-se com os anos e com a experiência... ou não?
- sim. claro que sim. vamos aprendendo com a vida...
(...)


[e a pensar mal, muito mal, da classe médica...]

22 janeiro 2009

o tempo todo talvez esteja onde existimos. embora saibamos que nesse lugar nunca houve tempo nenhum *

cansei-me de te sonhar. cansei-me do sangue e da chuva, da memória dessas rotas difíceis.
donde te escrevo apenas uma parte de mim ainda não partiu.
(...)

quando te digo que vou de novo partir, perguntas-me: morre-se porquê?

caminhamos em direcções opostas. caminhamos sem destino pela cidade.
a febre aniquila-nos.
existem Índias por descobrir, no segredo da noite dos nossos desastres.
caminhamos neste espaço de penumbras e de incertezas - onde a fala já não cintila e as palavras são de cinza.

sobre as tuas mãos a sombra de um corpo, ou de um navio. o silêncio das viagens cumpridas. e no meio deste silêncio uma ideia de voz, uma treva agarrada à memória.
foi então que dei por mim a existir para lá da tua morte, como se asfixiasse. mas o passado não é senão um sonho. (...)
não vale a pena estar triste.
todas as histórias, todas as mortes, acabam por se apagar.
(...)
*Al Berto

...velhas trapaças...